Você provavelmente já deve ter escutado alguém usar o termo Startup em alguma conversa. Nos últimos anos nunca escutamos tanto essa palavra quanto antes! O termo vem se popularizado devido a crescente leva de novas empresas inovadoras, ops, já entreguei uma parte… Mas você realmente sabe o que define uma Startup?

Definições de Startup

Existem diversas definições por ai, e a comunidade parece não conseguir chegar em um acordo de uma definição global, por exemplo, alguns acham que uma startup pode se limitar entre o tamanho e tempo de existência enquanto outros acham que essas limitações não são suficientes para diferenciar uma Startup de uma empresa “tradicional”. Separei duas definições que, para mim, englobam resumidamente bem o que uma Startup é:

Uma startup é uma empresa trabalhando para resolver um problema onde a solução não é óbvia e o sucesso não é garantido.

Neil Blumenthal cofounder e co-CEO da Warby Parker

Uma startup é uma instituição humana desenhada para entregar novos produtos ou serviços sob condições de extrema incerteza.

Eric Ries, autor do livro The Lean Startup

Então se juntarmos as duas definições temos: Uma startup é uma empresa trabalhando para resolver um problema, onde a solução não é óbvia, através de produtos e serviços inovadores, sob condições de extrema incerteza.

Diferenças entre Startup e Empresa

Apenas analisando as duas definições acima talvez ainda não seja suficiente para entender o que de fato é uma Startup. Afinal, abrir uma Padaria também não tem sucesso garantido e condições extremas pode ser um tanto ambíguo… Então vamos lá: A primeira diferença está no modelo de negócio, uma Startup busca inovar um produto ou serviço que não tem ainda um modelo de negócio testado e comprovado, ou seja, por ser uma nova maneira de prestar um serviço ou produto, o mercado é diferente ou até mesmo inexistente, o que torna sua atuação em “extrema incerteza”. Comparando com uma Padaria tradicional, o seu modelo de negócio e público alvo já foram validados e comprovados, se ela vai dar certo ou não é por consequência de outras condições existentes e não por não existir um modelo de negócio viável.

Se você está se perguntando: Uma Padaria poderia ser um Startup? Claro que sim, se de alguma maneira alguém encontrar uma maneira de inovar a maneira que o pãozinho diário chega no consumidor, usando tecnologia e recursos limitados e oferecendo um serviço novo para um mercado incerto, voi-lá, temos uma Startup.

Diferentemente de empresas já consolidadas e comumente chamadas de empresas tradicionais, as Startups começam em um cenário com pouco dinheiro ou até nenhum, elas buscam seu crescimento através de uma série de rodadas de investimentos, falaremos sobre isso logo mais. Muitas Startups podem passar anos e anos sem dar lucro, e está tudo bem, muitas inicialmente visam apenas o crescimento e o potencial multiplicador financeiro que apenas um mercado inexplorado costuma ter.

Exemplo: Google

Vamos pegar o Google como exemplo, quando eles começaram a internet também começava a trilhar seus primeiros passos para ser a incrível ferramenta que temos hoje. Empresas gigantes de tecnologia da época já existiam quando o Google foi criado, e por que ele foi criado? Antigamente você precisava recorrer a alguns buscadores, também startups, que buscavam solucionar o problema de encontrar notícias, artigos, recursos em um modo geral na internet. Tanto a tecnologia como o mercado eram novos, e para alguns produtos que a Google possuí hoje: o mercado era inexistente. Essa é a diferença do Google para outras empresas como a IBM, que na época já tinha um mercado consolidado de venda de máquinas mas não se aventuraram nesse mercado inexplorado e potencialmente inóspito.

O famoso clima de Startup

Quando falamos sobre Startup, o que vem na mente de quase todo mundo é uma empresa descolada, com ping-pong, pessoas indo trabalhar de bermuda, horários flexíveis, entre outras coisas. Isso é tudo verdade, mas não pode ser usado para definir uma Startup, empresas tradicionais podem e estão implementando esse novo modelo de negócio.

As Startups além de inovaram em seus produtos e serviços, buscam inovar na gestão interna, oferecendo um clima agradável e benefícios diferenciados que ajudam a atrair e reter talentos, que por sua vez, estão cada vez mais exigentes com seu ambiente de trabalho.

Mas nem tudo é um mar de rosas, embora essas empresas parecem ser perfeitas para se trabalhar, temos que levar em consideração alguns pontos mencionados acima! São empresas incertas, buscando um modelo de negócio sustentável, o que pode levar a situações um tanto complicadas. Prazos curtos e a necessidade de entrega rápida podem acarretar em jornadas longas de trabalho e cobranças estressantes. Outro ponto a se considerar é que você está sujeito ao risco da empresa não prosperar, por tanto, é sempre bom avaliar todos os prós e contras de cada modelo de empresa e se eles se adaptam a você.

Rodadas de Investimentos

Normalmente a captação para expansão dessas empresas se dá através de rodadas de investimentos, como habitualmente essas empresas ainda não possuem dinheiro entrando, seus planos de expansão ou até mesmo apenas operacionais são inviáveis sem investimentos externos. O que não é um problema, pois existe um mercado sedento por esses tipos de empresa e o seu potencial de multiplicar dinheiro.

Quais são os tipos de investidores?

Investidores Pessoais

Um tipo comum, chamado de “Friends&Family” (Amigos&Família), é uma maneira muito comum de arrecadar dinheiro para financiar seus projetos. A captação do dinheiro é feita de pessoas próximas ao negócio em troca de parte da empresa ou as vezes apenas como um empréstimo.

Empréstimos Bancários

Empréstimos bancários são muito comuns também, se por algum motivo a Startup não conseguiu chamar a atenção de investidores, uma solução é buscar instituições financeiras para conseguir levantar capital em troca de juros.

Investidores Anjos

O Investimento Anjo é o investimento efetuado por pessoas físicas com capital próprio. Essas pessoas normalmente são especialistas nesse tipo de investimento e buscam um retorno de alto ganho e alto risco nessas empresas, costumam agregar valor a empresas com seu conhecimento e/ou rede de relacionamentos. Investem normalmente em estágios iniciais da empresa (seed-money), onde a quantia necessária não é tão expressiva do ponto de vista de investimento, já falaremos mais sobre essa etapa de investimento.

Fundos de Venture Capital (VC)

Os Venture Capital são empresas e pessoas especializadas nesse tipo de investimento, possuem normalmente um fundo e investimento com grande capital e investem em diversas Startups simultaneamente, eles entram em cena normalmente após o negócio já ter uma fonte de receita considerável. Entram normalmente com grandes quantias para investimento em troca de partes da empresa.

Rodadas de Investimentos

Antes de qualquer rodada de financiamento começar, analistas realizam uma avaliação da empresa, a famosa “valuation” em questão. Essas avaliações são derivadas de diversos fatores, incluindo gerenciamento, histórico comprovado, tamanho do mercado e risco. Essas valuations são importantes para distinguir as rondadas de financiamento, bem como com o nível de maturidade e as perspectivas de crescimento. Esses fatores são importantes pois afetam os tipos de investidores que provavelmente se envolverão e os motivos pelos quais a empresa pode estar buscando um novo capital. Uma vez que o “valuation” é feito, se tem uma noção do quanto aquela empresa vale em potencial e como e quanto será necessário de investimento.

Seed Funding (Investimento Semente)

O financiamento inicial é o primeiro estágio “oficial” de financiamento dessas empresas. Geralmente representa o primeiro dinheiro oficial de terceiros investidos na Startup. Esse dinheiro é normalmente levantado para operacionalizar a empresa e possivelmente levar para as outras rodadas de investimento. Normalmente investidores anjos e alguns fundos de venture capitals especializados nessa etapa investem aqui.

Series A

Aqui teoricamente a startup já tem um modelo de negócio e está em processo de consolidação e expansão de mercado. O capital investido é alocado para otimizar e ajustar seu modelo de negócios e acelerar sua expansão. Aqui é onde começa os investimentos de gente grande, fundos de venture capital normalmente investem dessa rodada para cima.

Series B

Nessa etapa a Startup já está consolidada, e seu mercado e consumidores estabelecidos, bem como seu modelo de negócio validado. O principal objetivo nessa etapa é aprimorar seus processos, realizar contratações, departamentalizar, buscar novos mercados, e possivelmente adquirir outras empresas concorrentes ou que alinhem com o os objetivos de expansão.

Series C

A essa altura a empresa já está bem desenvolvida e muitas acabam se lançando no mercado estrangeiro. Além de fundos de Venture Capital, atraem capital de empresas de Private Equity e fundos de Hedge.

Conclusão

Aprendemos o que é uma Startup e como elas são criadas e financiadas, seus produtos bem como modelos de negócio são inovadores e muitas vezes inspiradores. No Brasil uma das Startup mais populares é a Nubank, que a cada ano atrai números relevantes de novos clientes e não para de crescer! Pra quem não sabe, a Nubank é uma Fintech, um tipo de startup especializada, ensinei o que são essas empresas aqui.

Você tem alguma definição diferente do que apresentei aqui? Deixei seu comentário!

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Um nerd nada tradicional… Desenvolvedor web full-stack, escritor amador e inventor nas horas vagas. Apaixonado por tecnologia e entusiasmado por projetos de código aberto!

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